terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudade...


Acordo suavemente. Os raios de sol embatem na janela, como que a saudar-me para mais um novo dia. Levanto-me lentamente e abro a janela. Olho em volta extasiada e inspiro profundamente. O ar estava puro e a harmonia emanava por todo o lado. Como seria possível que horas antes este sítio maravilhoso tivesse sido arrebatado por uma enorme e violenta tempestade? Apesar de tudo, era ainda possível vislumbrar alguns vestígios do caos e do tormento causados pela Natureza. Mas depressa o vento iria varrê-los, como que a tentar ocultar os estragos que provocou. Tudo se encontrava sob uma paz e calma surpreendentes. Como se nada se tivesse passado. Desço as escadas e dirijo-me ao jardim. O meu jardim. Corro descalça sobre a erva fresca. Apanho flores e com elas enfeito os meus caracóis rebeldes. Canto e danço com toda a energia que contenho. Sinto-me tão leve! Leve como uma pluma. Prestes a voar... Depois subo a uma árvore e detenho-me a olhar o céu. Perco-me na sua infinidade e nas nuvens...
Será que me olhas neste momento? Será que me proteges? Será que me amas? E com estes pensamentos rendo-me ao cansaço e encosto-me junto ao tronco. De súbito a saudade inunda o meu coração, fazendo-me soltar uma lágrima, que escorre lentamente pela minha face. Como eu preciso de ti neste momento... dos teus conselhos... das tuas reprimendas. Como eu sinto falta do teu riso... da tua força. Acho que poderei dizer que tenho saudade do que nunca vivi. Os dias passam e a saudade permanece no meu coração. A certeza de que poderias estar aqui agora se o destino assim desejasse. A dor ao pensar no quanto tudo poderia ser diferente... Tão diferente.
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Dedicado à Avó Rosário, a avó que nunca conheci, mas que sinto falta dela. Tenho saudade. Saudade daquilo que nunca tive.

1 comentário:

Tânia disse...

Texto mesmo muito bonito..
:D