Sempre me questionei quem estaria por detrás. Por detrás das câmaras. Por detrás de tudo. Quem seria o responsável. Quem criou este estranho e complexo planeta. As pessoas, acham este mundo normal. E passam a vida à procura. À procura de algo estranho, algo anormal como anjos e marcianos. Querem explicações. Querem factos. Pensam demais. E simplesmente não param. Não param um segundo para vislumbrar o seu próprio planeta. Não apreciam. Não se deixam levar. Não compreendem que o próprio mundo onde vivem é um mistério. Já se habituaram a tudo. Sinto-me triste ao pensar que nos habituamos a algo tão inexplicável e belo como a vida.Eu sempre gostei de acreditar que existe alguém por detrás de tudo isto. Uma entidade superior que nos protege. Que nos ama. A quem podemos pedir que nos ajude nas nossas decisões. Que nos ilumine o caminho. Seja ele um deus, um espírito, um anjo, o Sol, a Lua, as estrelas… ou o próprio destino. O que quer que seja e que se acredite. No fundo, é o mesmo. Algo que se encontra acima de todos nós. Eu não sei. Não sei o que se encontra para lá. Mas de qualquer maneira não me interessa minimamente. Simplesmente prefiro acreditar que algo existe. Acreditar que sim. Sinto-me mais tranquila. Mais segura. É bom pensar que algo ou alguém superior nos protege. Por vezes desejava conseguir acreditar com veemência. Desejava ter aquela fé incontestável. Aquela esperança incomensurável. Aquela que nos faz mover quando mais nada o faz. Seria tão mais tranquilizante. Penso que seria mais feliz.
“Certo dia, um astronauta e um neurocirurgião discutiam sobre a fé cristã. O neurocirurgião era cristão e o astronauta não era. O astronauta gabava-se: «Estive muitas vezes no espaço e nunca vi anjos.» O neurocirurgião respondeu: «E eu já operei muitos cérebros inteligentes, mas nunca vi um único pensamento.»”
Ninguém ao certo sabe o que se encontra para lá. Mas pode-se acreditar. Acreditar faz bem. Por uns momentos deixar o lado racional para trás. O lado lógico. Pôr de lado os factos. Os factos e a lógica cansam. Não deixam as pessoas sonhar, nem imaginar. Não as deixam interrogar, pensar, acreditar. Por vezes, devemos calar todas vozes em redor. Devemos desligar as televisões, os rádios. Fechar os jornais. E por momentos pensarmos por nós próprios. Devemos fazer a melhor pergunta que existe. A pergunta que provoca. Que desafia. Que deixa tudo em aberto:
«Porque não?»
5 comentários:
Adorei! :D
De facto, porquê dizer que é mentira quando não se sabe a verdade? "Porque não?" :P
Eu acredito.
Beijinho*
Já muitas vezes passamos juntas situações em que acreditavamos mesmo no que estavamos a fazer. Rezavamos juntas quando eramos pequenas e dormiamos em casa uma da outra. Agora já não o fazemos.
Não foi uma questão de deixar de acreditar. Acho que simplesmente nos passamos a questionar mais. E sei que tu, tal como eu, também já deves ter passado fases em que te perguntavas? "Mas será que existe mesmo? Será que vale a pena estar para aqui a falar com alguém que não sei se existe? Será que vou ser mais feliz ao fazê-lo?" Mas vale a pensa perguntar agora: "Porque não?" Porque não acreditar se isso nos acalma e nos deixa mais seguros? Saber que há alguém que sempre nos vai querer bem, que nos protege... Um eterno amigo.
Por isso vou regressar ao tempo em que eu e tu nos comprimiamos na tua cama e a tua mãe nos dizia para rezarmos. E juntas rezavamos mesmo, acreditando naquilo que faziamos. Agora recordando tudo isso penso - Se pude viver tudo isso contigo, se nesses momentos conseguimos tornar a nossa amizade em muito mais do que brincadeiras: Porque não?
Eu acreditava. E acredito. E vou sempre acreditar. Uma eterna amizade - Não é o que toda a gente deveria querer?
Gostei :)
Já a tens?
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