quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mais uma noite

Mais uma noite. Mais uma noite, aquela dor avassaladora arrebate-se contra mim. Mais uma noite em que me sinto sozinha. Mais uma noite em que quero dormir e não voltar a acordar.
Preciso de sair. preciso de gritar. Preciso de chorar. Mas não ali. Ali não posso. Ali, tenho de aguentar. Tenho de guardar tudo. O meu espírito torna-se num acumulado de angústia, de medo. Já não me reconheço. Já não sei quem sou.
Corro até à varanda. O meu refúgio. Sinto com prazer o frio que se apodera do meu pequeno corpo. E ali, choro. Ali grito. Ali liberto-me.
Sento-me no chão, soluçando. Uma lágrima gélida, escorre lentamente pela minha face, fazendo-me arrepiar.
Começo a tremer. A respiração torna-se irregular. Mas não quero voltar. O vento gelado e cortante, não se compara ao que sinto. Não vou voltar.
Olho em redor. Para a cidade iluminada. Está tão diferente. Diferente daquele local que costuma ser agitado e ruidoso. Nem parece o mesmo. Fecho os olhos e aprecio o silêncio. Aprecio a tranquilidade. E usufruo daquele pequeno momento. Desejo nunca sair dali. Desejo ficar ali para sempre. Embalada pela débil luz da Lua. Pelo vento que acaricia os meus cabelos.
Abro lentamente os olhos e contemplo o céu. A sua escuridão. A sua profundidade.
O meu olhar perde-se. Perco-me nas estrelas... E depois... sinto harmonia. Sinto que faço parte de tudo aquilo. Faço parte das estrelas. Faço parte da Lua. Do frio. Do céu. Faço parte daquele silêncio. Não ouso emitir um ruído. Um suspiro. Nada que perturbe toda aquela tranquilidade. Fico apenas ali debruçada em silêncio. Pensando em tudo e em nada.
Até que depois a minha voz, inevitavelmente, sai. E solto uma pequena melodia. Uma melodia triste e nostálgica. Cantada por uma voz fraca que treme devido ao frio. Essa voz ecoa pela noite. Como que a completar todo aquele ambiente. Essa pequena voz, triste e insignificante, apelando a algo. A algo impossível. Apelando a um momento de felicidade...

14 comentários:

blabla disse...
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Anne disse...

Então uma pessoa aqui a escrever um testamento destes tão profundo, o mínimo que podias fazer era um comentario profundo xD
Mas por acaso é verdade +.+

blabla disse...
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Anne disse...

lool
como é que te chamas já agora? se não é indiscrição... xD

blabla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marta disse...

É no silêncio que me encontro. É sozinha que me sinto bem. Talvez à espera de sentir algo mais do que tristeza. Talvez à espera de algo mais do que as lágrimas que teimam em cair.

P.S. - Querias um comentário profundo? Aqui o tens! =)

blabla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anne disse...

loool
agora estão a ver qual é o mais profundo xD
E sim, chamo-me Ana xD Ana Lídia mais precisamente ^^

blabla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vanessa V. disse...

Por vezes é o silêncio e no silêncio que nos encontramos a nós próprios, da melhor forma. Adoro!!

Marta disse...

São lindos nao são? A mim fazem-me chorar =(

Tânia disse...

O Camões tem toda a razao... xD
O texto está lindo! :D

O silencio, são todas as palavras que nos precisamos de ouvir, é todo o conforto que queremos; as lágrimas são a nossa alegria percorrendo a nossa face,e nos libertando.
Libertando tudo o que há em nós, pelo silencio da noite...

blabla disse...
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Patrícia disse...

E por falar em felicidade, quero falar. E olha... o blog podia chamar-se Ai que me dói tudo xD